quinta-feira, 3 de março de 2011

Tópicos de apoio ao estudo do tema: DE ALEXANDRIA À ERA DIGITAL

A VIDA E A ESCRITA

- Ao longo da História o Homem escreveu em vários suportes: pedra, argila, madeira, tela, seda, couro, osso, tijolo, papiro e pergaminho. Hoje usa o papel e o teclado (vendo-se os caracteres no ecrã do telemóvel ou do computador).

- A escrita não é usada só para transmitir um significado, ela é vista também como uma manifestação artística usada para fins decorativos.

- A arte de escrever com perfeição chama-se caligrafia.

- Se os antigos diziam que as palavras (ditas) leva-as o vento, a verdade é que as palavras impressas dificilmente se apagam.

- A palavra escrita permite que o Homem ultrapasse as suas experiências pessoais e o seu mundo limitado e conheça as experiências de outros homens e outras épocas, descobrindo diferentes modos de vida e de pensamento. A escrita permite fixar histórias, saberes e acontecimentos de modo a que as gerações vindouras possam ter acesso a eles. A escrita torna possível o rigor, a descrição de situações, o acumular de informação e de conhecimento e a aprendizagem. Com a escrita, o Homem vai aprofundando a sua racionalidade e o seu pensamento estreita as ligações com a palavra escrita, o que permite aumentar a coerência e a articulação lógica dos pensamentos. Tudo isto vai ter influência na comunicação e nas relações humanas, na organização das comunidades, nas trocas e no comércio, na justiça, nos acordos e tratados, na vida diária das populações e na comunicação com outros povos.

- É bastante difícil imaginar a nossa vida sem a escrita: códigos de estrada, leis, regras e normas, conhecimentos, informações de todos os tipos, publicidade, ensino e estudo, livros, jornais, revistas, internet, sms, relatórios, preços, instruções, correspondência, etc., são alguns dos exemplos onde a escrita está presente nos nossos dias.

- A escrita permitiu transformar as relações entre as pessoas, as trocas económicas e comerciais, o modo e a velocidade com que acedemos ao conhecimento e à informação, as relações entre instituições e países, etc.


A HISTÓRIA DA HUMANIDADE E A ESCRITA

- Podemos dizer que a escrita existe em todos os países. Sabemos também que há diferentes caligrafias, isto é, diferentes tipos de letras, diferentes alfabetos. Alguns exemplos são a escrita dos países árabes e dos países do leste europeu, a escrita chinesa e japonesa, a escrita usada por nós, etc.
Embora se possa afirmar que há certo tipo de comunicação em outras espécies, não deixa de ser verdade que só a espécie humana criou e usa a escrita. Assim, será fácil concluir que o Homem não se resignou à utilização da fala e de outras formas para comunicar, tendo sentido necessidade de criar uma forma de comunicação diferente de todas as outras. A escrita permite a comunicação à distância, permite registar informação, impede o esquecimento e combate a ignorância, possibilita o rigor e a objetividade, evitando equivocos e confusões.
À medida que a História da Humanidade avança vão aumentando as atividades e os ofícios, vão aumentando as trocas e transações, os negócios e os acordos, as normas e leis, os tratados e conhecimentos, etc., e  a escrita permite o registo duradouro de tudo que diz respeito aos aspetos mencionados. De facto, a escrita torna-se bastante necessária à medida que os negócios, o comércio, a informação e os conhecimentos vão aumentando, pois ela fixa com exatidão tudo aquilo que o Homem pretender. Efetivamente, é nos livros que encontramos os conhecimentos, relatos e histórias que foram ocorrendo ao longo da História da Humanidade e é deste modo que as gerações vindouras tomam conhecimento credível do que de mais importante ocorreu e foi descoberto no passado.
Assim, podemos salientar que a palavra escrita tem uma forte ligação com a realidade. É como se a escrita substituísse as coisas, os acontecimentos, as ideias, as intensões, isto é, a escrita torna possível nomear a realidade, escrever e ler a realidade, mas ela não é a realidade. Com a escrita, o Homem pode escrever sobre o que é material e imaterial, visível e invisível, e pode até escrever sobre o que imagina e sobre o que não existe.
Pode, pois, deduzir-se que a palavra escrita é muito importante, não só para o indivíduo humano e para a organização, coerência, sequência lógica e rigor do seu pensamento, mas também se revela importantíssima em termos de organização das sociedades, fundamentalmente ao nível das leis e das normas que regem uma sociedade. De igual modo, a escrita é também importante nas relações entre os povos e as culturas que habitam o nosso planeta.



BREVE HISTÓRIA DA ESCRITA

- As primeiras gravuras em osso e as pinturas nas paredes das grutas podem ser consideradas o início da escrita. Estas representações pretendiam fixar no tempo imagens que contam um acontecimento ou uma história relevante.

- Fixar um acontecimento, acreditavam os nossos antepassados, permitia-lhes apropriar-se dele, dominá-lo, deter a sua memória e torná-la presente. Assim, o Homem deixou de viver apenas num registo instintivo, tentando dar um grau de permanência, ou mostrando a existência de acontecimentos interessantes registando-os da forma possível.

- O estádio inicial da vida da escrita, há cerca de 40 000 anos, caracterizou-se pelo uso do desenho (chamado pictograma) como auxiliar de memória.

- Os pictogramas representam coisas, situações, acontecimentos ou histórias sem palavras.

- Posteriormente, os pictogramas especializam-se e cada um irá representar uma palavra, objecto, noção ou ideia.

- No fim do IV milénio a. C. surgem as primeiras tentativas de escrita, em Uruk, na Mesopotâmia. A sedentarização dos agricultores, o avolumar do comércio e dos negócios levam a que se represente em placas de argila tudo que é transaccionado, isto é, tudo que é comercializado.

- Os Sumérios foram os inventores deste tipo de escrita, que se denomina cuneiforme e que evoluiu durante mil anos.

- Os desenhos de objectos vão-se estilizando, tornando-se mais abstractos e semelhantes a letras.
- Por volta de 5000 a. C. os egípcios elaboram o seu sistema de escrita, sendo esta constituída por hieróglifos (de hieros, «sagrado», e gliphein, «gravar»), estando a sua origem ligada à celebração de feitos militares e rituais religiosos.
- Na China encontra-se outro importante sistema de escrita. As inscrições mais antigas são de textos divinatórios e encontram-se em fragmentos de osso, marfim e carapaças de tartaruga.
- Hoje, o alfabeto usado maioritariamente no Ocidente foi legado pelos Fenícios. Era uma escrita composta por 22 consoantes.
- Os Gregos, tendo relações comerciais com os Fenícios, vão acrescentar ao alfabeto fenício as vogais, cabendo depois aos Romanos a sua divulgação.
 
 
 
A IMPRENSA COMO MEIO DE MULTIPLICAÇÃO E DIVULGAÇÃO DO LIVRO: A GALÁXIA DE GUTENBERG
 
 
- A linguagem e a comunicação são inerentes à espécie humana, contudo, o modo de nos expressarmos e os meios utilizados foram variando ao longo dos tempos.
- A necessidade de comunicar, o que comunicamos e como o fazemos, dependem das épocas históricas e do estádio de desenvolvimento cognitivo e psicológico do ser humano.
- A pintura nas cavernas, os desenhos em ossos, o livro, o jornal, a net, a sms, a oralidade, a escrita, são alguns dos pontos essenciais de um percurso que o ser humano construiu ao longo de milénios.
- O aparecimento progressivo da escrita nas civilizações transformou a realidade humana e, com a sua prática a aumentar, também os suportes da escrita se vão alterando.
- O papiro (planta cortada, batida e humedecida) era usado, em rolos, pelos Antigos Egípcios; o pergaminho (pele curtida de vitela, carneiro ou cabrito) era usado na Grécia por volta do século III a. C. Estes dois materiais são fundamentais para a história do livro.
- No século I d. C., os chineses inventaram um tipo de papel, que a Europa só virá a conhecer no século XII, através dos Árabes. Assim, surgem as primeiras fábricas de pasta de papel no sul da Península Ibérica, as quais se irão espalhar por toda a Europa a partir do século XV.
- Produzir dois textos iguais tornava obrigatória a realização de cópias. Os chamados Escribas, no Antigo Egipto, e os monges copistas, na Idade Média, dedicavam-se a esse ofício.
- Na Idade Média, com o desenvolvimento do ensino e das Universidades, o livro, a leitura, a escrita e o comentário de textos tornam-se essenciais.
- A necessidade da cópia, mais rigorosa e em maior número, aumenta. No entanto, o processo utilizado não facilitava tal tarefa.
- Assiste-se também ao crescimento das cidades, aumentam as trocas comerciais, as viagens e a circulação de pessoas e bens. Ocorrem transformações sociais e económicas, a informação e o conhecimento aumentam e ganham enorme importância e, assim, é cada vez mais necessária a criação de instrumentos que procedam à sua posse, transmissão e divulgação.
- A invenção de Gutenberg (1400-1468) transformou a publicação e divulgação do livro e possibilitou o aparecimento da imprensa.
- A reprodução mecânica da escrita criada por Gutenberg permitia realizar em poucas horas o trabalho que os copistas demoravam meses a fazer.
- Usando blocos de letras individuais em metal, as letras necessárias para cada página de texto eram dispostas num caixilho de madeira e colocadas, em seguida, numa prensa. Após serem tintadas as letras, o papel era comprimido sobre elas com uma prensa de madeira.
- A invenção de Gutenberg permite imprimir folhas separadas (e repetir o processo) com um conteúdo mais actual e menos profundo do que o de um livro. Todos os meses, todas as semanas ou todos os dias se verifica a saída de publicações, uma espécie de jornais que dão notícias de acontecimentos recentes, que dizem respeito à vida diária das populações e que podem ser lidos por muitas mais pessoas e em diferentes lugares. Assim, as populações têm possibilidade de estar informadas sobre os acontecimentos mais relevantes que vão ocorrendo.
- Ao longo do percurso evolutivo da imprensa, muitas transformações aconteceram: mudanças de formatos, de conteúdos, de destinatários, etc.

 
A ALDEIA GLOBAL
 
- O avanço das descobertas científicas e a investigação intensa nas novas tecnologias revolucionou o nosso modo de vida.
- As formas de comunicar e de difundir informação e conhecimento alteraram-se profundamente.
- A escrita deixou de ser o único meio de difusão de cultura e informação, pois ao longo do século XX surgiram o cinema, a rádio, a televisão, a internet, o CD, o satélite, o telemóvel etc.
- Hoje, a cultura, o conhecimento e a informação estão ligados a um mundo digital e multimédia, que alguns autores comparam à invenção da imprensa por Gutenberg.
- A informática permite aceder a grandes quantidades de informação e, deste modo, a rádio, a televisão e a imprensa tornam-se meios de comunicação de massas (mass media), e o mundo torna-se uma "aldeia global", onde a informação circula mais rápido e muito se sabe mais facilmente sobre o que acontece em qualquer parte do mundo. A informação entra pelas nossas casa dentro e está muito mais disponível em qualquer lugar (cafés, bibliotecas, escolas, papelarias, etc.).
- O espírito original da imprensa ainda se vai mantendo: informar e transmitir notícias. Utilizando um discurso claro, simples e objectivo, com frases curtas e directas, a imprensa tenta fazer ver e viver o acontecimento, tentando transformar o leitor numa espécie de testemunha indirecta.
- A imprensa torna-se num instrumento fundamental de divulgação dos problemas e acontecimentos planetários.
- O telefone, a televisão, a rádio, o cinema, a revista ilustrada, o jornal ocupam um lugar importante ao longo do século XX, pois permitem a circulação de informação, o conhecimento de outras culturas, a divulgação de acontecimentos históricos, bem como uma certa atualização das pessoas relativamente às notícias mais importantes do seu país e do mundo.
- Hoje em dia, os serviços de informação dispõem de meios técnicos bastante sofisticados, o que torna possível transmissões em directo de qualquer ponto do planeta. Este tipo de comunicação global deve-se aos satélites.
- Os novos serviços televisivos vão solicitando gradualmente a participação do espectador, abrindo a porta a uma televisão feita por cada um à sua medida. Assim, aceder aos conteúdos televisivos será uma tarefa cada vez mais individualizada, gerida de acordo com os gostos e interesses de cada um.
- Contudo, o livro, pelo seu prestígio, e a imprensa, pelo papel que desempenha na nossa visão do mundo, continuam a ser dos mais importantes suportes da escrita. No entanto, a internet vai-se afirmando como suporte de informação, permitindo uma rápida divulgação de acontecimentos e partilha de informação, para além de possibilitar uma comunicação extremamente rápida e eficaz entre instituições, organismos e pessoas de qualquer parte do mundo.

- A internet veio revolucionar a comunicação e, deste modo, o mundo torna-se uma espécie de aldeia global, onde "tudo" se sabe, "tudo" se procura, "tudo se divulga," tudo" se vende e compra, onde se disponibiliza todo o tipo de conteúdos e onde a interatividade se tornou bastante fácil e frequente.

- Finalmente, pode ainda fazer-se referência a um aspeto importante relativo à escrita; é que a escrita não é algo de estático, é dinâmica, vai mudando ao longo do tempo, sofre alterações, não só devido aos hábitos da população, mas também devido à evolução científica e tecnológica, facto que provoca o aparecimento de novas palavras e de estrangeirismos (palavras de outras línguas que passam a fazer parte da nossa). As mudanças sociais e culturais conduzem também ao aparecimento de novas expressões e conceitos, não só devido à influência dos meios de comunicação social (nomeadamente a televisão, com os concursos, as telenovelas, etc.), mas também do cinema, da política, ou do desporto. A língua de um povo vai-se alterando e a escrita vai também sofrendo alerações ao longo dos tempos.

Um comentário:

  1. ATENÇÃO COLEGAS EU JÁ USEI ESTE SITE PARA O TRABALHO DE INTEGRAÇAO , NADA DE USAR TAMBÉMM !
    PS:MINGLEE

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