quinta-feira, 23 de setembro de 2010

TÓPICOS DE APOIO AO ESTUDO DO TEMA "PESSOA E CULTURA"

À VOLTA DO CONCEITO DE PESSOA

Antes de mais, podemos começar por afirmar que a pessoa é um ser humano.
Mas a pessoa é também um ser racional, um ser pensante.

Qualquer pessoa é consciente de si e autor dos seus actos.
Sendo autor das suas acções, é também responsável por elas.

Toda a pessoa vive em sociedade, logo, é um "ser com os outros".
Na vida social todos vamos desempenhando vários papéis.
Se tal desempenho é positivo é mais fácil sermos aceites pelos outros.


Desempenhar vários papéis permite-nos interpretar diferentes personagens.
Todos vamos usando diferentes "máscaras" (expressões faciais), que são formas de comunicar ou tentar ocultar estados de espírito.

A personalidade é o elemento mais estável da conduta pessoal.
A personalidade revela os traços característicos de uma pessoa.
Sendo resultado da interacção entre factores genéticos e influência do meio, a personalidade diferencia-nos dos outros e torna-nos únicos.

A vida em sociedade é uma espécie de jogo onde vamos aprendendo a desempenhar os nossos papéis e a construir a nossa personalidade.



O CONCEITO DE CULTURA

A personalidade de cada indivíduo forma-se em íntima ligação com a cultura onde vive.

A cultura diz respeito ao conjunto de elementos que caracterizam uma sociedade.
Todas as sociedades vivem uma cultura que lhes é própria.

A cultura engloba dois tipos de elementos, os elementos espirituais e os elementos materiais.
Os elementos espirituais incluem as crenças, os valores, a língua,etc.
Os elementos materiais referem-se às condições de vida, nomeadamente o vestuário, a alimentação, os instrumentos de trabalho, a habitação, etc.


PADRÕES DE CULTURA E DIVERSIDADE CULTURAL

Normalmente chamam-se padrões de cultura aos modos de vida próprios de certas sociedades ou grupos.
Sabemos que no mundo existe uma enorme variedade de padrões de cultura, ou seja, uma grande diversidade cultural.

No entanto, em muitas das sociedades actuais a diversidade cultural é cada vez maior.
O desenvolvimento dos meios de transporte e das comunicações, a abertura de muitas fronteiras, o aumento do turismo e das migrações contribuíram fortemente para o aumento de tal diversidade cultural.

O contacto entre povos com culturas diferentes leva a mudanças de mentalidades e de atitudes, podendo conduzir também a novos hábitos e costumes. Estas transformações culturais correspondem ao processo de aculturação.
O fenómeno da aculturação é algo que tem vindo a acentuar-se cada vez mais nos nossos dias.


O HOMEM COMO PRODUTO E AGENTE PRODUTOR DE CULTURA

Cada sociedade representa um conjunto articulado de elementos que são transmitidos de geração em geração. Neste sentido, cada um de nós recebe da geração anterior a sua cultura, daí que se possa afirmar que cada homem é um produto da cultura.
Mas os indivíduos não são seres passivos, pelo contrário, eles interagem com a sociedade transformando-a, levando a que surjam mudanças.
Assim, podemos dizer que o homem é simultaneamente um produto e um agente produtor de cultura.


CONTACTOS ENTRE CULTURAS

Como vimos, as sociedades actuais caracterizam-se por uma grande diversidade cultural.
O contacto directo e frequente com pessoas de outras culturas pode levar a que aconteçam choques culturais.
Tais choques resultam frequentemente do facto de julgarmos as outras culturas com base nos nossos padrões culturais, não aceitando ou aceitando dificilmente padrões culturais diferentes dos nossos.
Este comportamento corresponde a uma postura de etnocentrismo cultural.
O etnocentrismo cultural corresponde a uma conduta em que se valoriza demasiado a nossa cultura e se considera as culturas diferentes inferiores à nossa.

O etnocentrismo cultural pode dar origem a fenómenos como o racismo e a xenofobia.
O racismo consiste em considerar que pessoas com características físicas diferentes das nossas, características herdadas geneticamente, são inferiores a nós.
A xenofobia é uma espécie de fobia, ou seja, um temor ou medo em relação a tudo que é diferente.


O PROCESSO DE SOCIALIZAÇÃO

Todos nós passamos por um processo de socialização.
A socialização é um processo dinâmico através do qual os indivíduos aprendem a viver em sociedade, ou seja, através do qual aprendem a cultura do seu povo.
Sendo um processo de transmissão cultural, o processo de socialização visa a integração do indivíduo nos vários grupos de que irá fazer parte ao longo da sua vida.

O processo de socialização é particularmente importante durante a infância e a adolescência, embora continue a ocorrer durante o resto da vida dos indivíduos.
Assim, podemos falar em socialização primária, correspondendo esta às aprendizagens sociais que realizamos ao longo da infância e da adolescência (língua, rotinas, condutas, valores, normas, etc.).
A socialização secundária corresponde às aprendizagens e adaptações que o indivíduo vai ter que realizar na sua vida adulta, tendo como objectivo a sua integração no mundo social e nos novos grupos de que fará parte (grupo de estudantes, de amigos, de colegas de trabalho, de desportistas, nova família, novo emprego, etc.).


MECANISMOS DE SOCIALIZAÇÃO

Ao longo do processo de socialização utilizam-se vários mecanismos de socialização, designadamente a imitação, a aprendizagem e a identificação.
De facto, as crianças tendem a imitar os outros, copiando os seus comportamentos e atitudes.
A aprendizagem desempenha também um papel importante na socialização na medida em que adquirimos hábitos, regras, formas de comunicar, etc. que resultam de um processo de aprendizagem.
O processo de socialização conduz também à identificação dos indivíduos com os grupos em que se inserem, identificando-se com os modelos de comportamento, com os valores e com os hábitos que existem nesses grupos.


AGENTES DE SOCIALIZAÇÃO

Os agentes de socialização contribuem de forma directa para a aprendizagem social, embora de formas diferentes ao longo da vida do indivíduo.
Os principais agentes de socialização são a família, a escola, os meios de comunicação social e ainda outros organismos como os partidos políticos ou os clubes desportivos.


Família

A família é o primeiro agente de socialização.
A família trata da nossa segurança e subsistência, encarregando-se também de velar pelo nosso desenvolvimento psicossocial.
É no seio da família que aprendemos a comunicar, a alimentar-nos, a cuidar da higiene, que assimilamos valores, regras, hábitos, etc.


Escola

Desde cedo as crianças entram em contacto com a escola.
Na escola vai ser possível adquirir conhecimentos e competências importantes para a vida futura.
A escola possibilita a alfabetização, a aprendizagem de línguas estrangeiras e o domínio das novas tecnologias de informação, sendo estes factores importantes na vida das sociedades modernas.


Meios de comunicação social

Os meios de comunicação social têm actualmente forte protagonismo na sociedade, seja no que respeita a informar como enquanto entretenimento.
Os mass media são importantes agentes de socialização, nomeadamente a televisão, devido ao grande número de horas que as pessoas passam em frente a ela, especialmente as crianças.
A internet assume cada vez mais importância no processo de socialização devido ao tempo que passamos em frente ao computador, à informação a que temos acesso, às redes de comunicação disponíveis, à partilha de música, fotos, filmes, etc.
A moda apresenta também uma função socializadora porque aprendemos a vestir-nos de acordo com o grupo a que pertencemos, permitindo-nos afirmar a nossa personalidade e os nossos valores.
A publicidade, que está ligada à moda e ao consumo em geral, tem um papel decisivo na formação dos gostos e dos hábitos e, como tal, funciona também como um agente de socialização.
No entanto, é conveniente efectuar uma leitura crítica (não passiva) dos anúncios publicitários.